A angústia da espera

Há meses, a família do vira-lata Duque busca por pistas para encontrá-lo

 Foi no dia 9 de junho de 2016, por volta das 16 horas,  no bairro da Glória, em Vila Velha, que a mãe de Nelza Specemille abriu o portão para dispensar o lixo, sem perceber que, naquele momento, Duque, o amado cachorro da família, escapava pelo portão, sorrateiramente. Desde então, Nelza, parentes, amigos e uma legião solidária, comovida com o sumiço do cão e o sofrimento dos seus familiares, procuram, por todo o canto, pistas que possam levar ao animal. Uma busca  que começou no meio do ano, mas ainda não tem data para terminar.

“Eu não vou desistir”, afirma a dona. A mobilização iniciada por Nelza para ter de volta o vira-lata branco, da pinta preta em um dos olhos, simpático, brincalhão, inteligente, companheiro fiel do pai diagnosticado com Alzheimer, impressiona. De tanta divulgação, sua história repercutiu fora do estado e do país. “Já recebi ligação até da Paraíba. E outro dia, uma moça da Itália me ofereceu recursos que pudessem ajudar a encontrá-lo. Realmente, muitas pessoas se solidarizam com a nossa busca”, comenta. O desaparecimento do Duque ganhou destaque na TV local, estadual, nos jornais impressos e nas redes sociais. Cada postagem sobre o Duque recebe milhares de likes e centenas de comentários.

Nelza conta que já percorreu toda a região, as localidades mais longínquas e inusitadas, bairros inóspitos e até o lixão, atrás do cão. “Rodamos a pé, de carro, de moto, todos os bairros e muitas vezes, e não o encontramos. O desejo de encontrá-lo é tão grande, que perdemos o medo”, confessa. Segundo ela, a procura permanece, com a colaboração de conhecidos e desconhecidos. “Checamos todas as informações, sem exeção. Qualquer mensagem, ligação, comentário é levado a sério. E desde que ele sumiu, recebemos indicações das pessoas, na tentativa de encontrá-lo”, relata.

Hoje, a rotina de Nelza, que trabalha em uma empresa de importação e expotação, inclui também checagem diária nas redes, troca de informações, comentários, posts, ligações e outras ações. O grupo do whatsapp criado para mobilizar as pessoas permanece. Vestida com a camisa de divulgação do desaparecimento do Duque, visita eventos, vai aos locais movimentados, distribui cartazes com seus contatos e mantém a recompensa de R$ 1.000,00 (mil reais) para quem descobrir o seu paradeiro.

 

 

 

Dor sem fim

A busca por Duque é tão intensa quanto a saudade que Nelza, seus pais e seu filho sentem dele. “É um membro da família que desapareceu. Um buraco no peito, uma ausência, uma falta que nada preenche”, lamenta. Quando questionada sobre o seu estado emocional, confessa:”já me desesperei, me revoltei, passei por luto e desesperança. Acho que passei por diversas fases. Mas hoje mantenho a esperança. Conheci casos de animais que foram encontrados meses depois. Alem disso, encontro forças nas palavras das pessoas, que sempre me incentivam a não desistir. Então, sigo firme, trabalhando e sonhando com o dia em que nos encontraremos novamente”.

 

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