ADESTRAMENTO GENTIL

Por que o Pit Bull ataca mais pessoas que os outros cães?

Por Leonardo Tschaen – Adestrador 

Não acredito nessa afirmação; na verdade as estatísticas mostram o contrário. Nos registros do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Vila Velha de 2007, a raça Pit Bull foi responsável por menos que 2% dos acidentes com pessoas.

Alguns setores da mídia são os maiores responsáveis pelo preconceito passado para a população. Dificilmente um adestrador ou especialista é consultado, sendo assim muito comum aparecer manchetes preconceituosas do tipo “Novo ataque de Pit Bull” quando na verdade o cão é de outra raça, geralmente mestiço com orelha cortada. Outro problema é que quase nunca são informados os graves erros de criação pelos quais o cão passou.

Vale ressaltar que os cães conhecidos como agressivos ou de guarda, são pouco socializados. No caso do Pit Bull, inclusive, só é permitido sair com ele de madrugada e com focinheira.

O Pit Bull tem dois tipos básicos de donos: o que coloca o cão para brigar ou matar cães e gatos vadios e pessoas muito humildes que os deixam amarrados e desprovidos de socialização. Esses são os típicos casos em que acontecem os acidentes. Quando criados por pessoas que fogem a estes exemplos, a estatística de acidentes tende a ser igual à de outras raças ou até menor. Vale lembrar que em disparada o maior número de acidentes ocorre com cães de pequeno porte devido ao descuido por não apresentar muito risco.

O Pit Bull é uma raça mais agressiva que as outras?

Definitivamente não. Seu comportamento é exatamente igual ao de qualquer outra raça de cachorro. O comportamento de um cão é definido principalmente pela sua criação, mas também pela carga genética que é herdada dos pais. É possível conseguir uma diferenciação no comportamento de uma raça através de uma seleção genética por várias gerações seguidas, mas na prática, mesmo os cães de rinha são apenas treinados e não selecionados tecnicamente desde filhotes.

A grande maioria dos cães, que não tem a agressividade controlada, foi criada de forma equivocada.

Como faço para controlar a agressividade de um cão?

Se ele já é adulto e não tem a agressividade controlada, é necessário procurar um adestrador para a segurança de ambos. Se ele estiver apenas rosnando, ou ainda é filhote, é preciso impor respeito, ou seja, ele precisa gostar muito de você, ter medo de fazer o que você não aceita (principalmente mostrar agressividade) e ter ausência total de raiva. Quando contrariamos o cão, fazendo um curativo ou brigando por algum motivo, por exemplo, primeiramente o cão fica com raiva, mas se a correção alcançar o nível que ultrapasse essa raiva o cão ficará com medo de mostrar este comportamento, no caso a agressividade. No instante em que ele muda de comportamento e cessa a agressividade, devemos estimular o cão positivamente, assim ele não ficará com medo de nós, mas apenas de mostrar agressividade.

A forma universal de correção é com guia e enforcador, pois além de seguro, com ele o cão só se livra do desconforto quando muda de comportamento. Sacolejar a nuca com a mão também serve para cães que não oferecem muito risco, filhotes, por exemplo. Borrifar água, balançar uma latinha ou bater não é uma boa forma de controle de agressividade, porque a correção pode cessar antes de o comportamento do cão mudar; neste caso, a raiva vai aumentar ainda mais.

Por que os cães da mesma casa brigam? Como fazer para socializá-los?

Geralmente eles brigam porque são sempre separados e também pela falta de respeito com os donos. O ideal é que você os deixe interagirem sem interferência para que um imponha respeito ao outro; essa é a forma mais eficiente, pois um sempre irá se render ao outro no caso de desentendimento, mesmo se estiverem a sós. Porém, isso só será possível se os cães forem equilibrados. Por exemplo, deixar uma mãe ensinar limites ao seu filhote, ou um cão que está se defendendo de outro para não deixá-lo subir na sua garupa, são casos que devemos deixar que sejam resolvidos sozinhos quando possível. Mas se for perigoso por qualquer motivo, se já estão com raiva um do outro, por exemplo, em vez de separar é necessário corrigir o cão que mostra agressividade, e no mesmo instante liberá-lo para ele decidir se irá mudar de comportamento. Este procedimento deve ser repetido até que o cão fique com medo de mostrar agressividade, mas nunca o impeça segurando-o. A correção ideal é com guia e enforcador, mas em cães filhotes, pode-se pegar na nuca e sacolejar até a agressividade cessar.

Se eles brigam na sua frente, é um indício clássico de que já passou da hora de você receber uma aula de um adestrador.

Como analiso se posso acariciar um cão que não me conhece? É verdade que não posso sentir medo?

O ideal é nunca se aproximar, mesmo de cães aparentemente dóceis, pois o cão pode se sentir ameaçado, mudar de atitude repentinamente e morder para se defender. Deixe que ele se aproxime do seu corpo sem que você coloque a mão no seu nariz. Se ele estiver à vontade e não ficar tenso e nem olhar fixo para você, aí sim, passe a mão de forma contínua e sem movimentos bruscos. O fato de o cão sentir o cheiro de uma pessoa que está com medo não irá fazer com que ele demonstre agressividade; o movimento tenso, brusco ou indevido, como sair correndo, é que pode provocar um ataque ou autodefesa do cão. Até a próxima!!

Meu cão tem ânsia de separação. Como faço para que ele aceite ficar só quando saio de casa?

Por: Leonardo Tschaen

Primeiro é preciso saber que o cão é um animal social, portanto tem a necessidade de viver em matilha e fica inseguro e infeliz quando está só, mesmo quando não apresenta sintomas aparentes.

A primeira dica é ter dois cães, pois dessa forma ele não ficará sozinho quando você sair, porém se o animal estiver com fobia vão persistir os sintomas: comportamentos destrutivos, micção e defecação em locais impróprios, vocalizações excessivas (latidos, uivos e choro), depressão, anorexia (perda do apetite), adipsia (ausência de sede) e salivação excessiva.

Parece impossível ensinar o cão a aceitar o isolamento, pois não estamos em casa, é claro, neste momento. Por isso é que fazemos primeiro um trabalho presencial e fazemos o isolamento total somente quando ele estiver adaptado a todas as situações antecessoras.

Para facilitar o aprendizado é preciso ensiná-lo a aceitar a separação apenas pela distância, mas sem sair do campo de visão, que neste caso deve ser feita de forma progressiva: com o cão preso pela guia (1, 2, 4, 8 metros), soltando a guia quando retornar, mas sem dar atenção.

A próxima fase do treinamento consiste em alimentar o cão em um cômodo fechado e soltar assim que ele terminar de se alimentar, e gradativamente aumentar o tempo antes de abrir a porta. Durante a evolução desse processo de confinamento, muitos cães começam a emitir os comportamentos típicos da fobia; se estes forem silenciosos, é necessário aumentar o reforço positivo trocando a comida por petisco e diminuindo o tempo de espera, porém, se o cão vocalizar ou tentar arranhar a porta, é necessário um reforço negativo para ele parar.

Neste caso, pegar na nuca do cão o máximo de pelo que conseguir e chacoalhar até ele sentir a pressão, então repetir o procedimento até que ele fique quieto com a porta fechada e, então, o soltamos imediatamente. Importante saber que, uma vez iniciado o treinamento, o cão não pode ficar só até que esteja totalmente adaptado; do contrário, ficará ainda mais difícil treiná-lo.

Algumas atitudes que você pode fazer para auxiliar e facilitar o aprendizado são: fazer o treinamento de obediência, pois além de ser necessário para todo cão viver melhor na sociedade, os comandos (fica, senta, deita) ajudam no auto controle do cão. Não pegar o cão no colo quando ele estiver com medo de alguma coisa, nem mesmo fazer carinho. Sair o quanto antes de casa sem criar uma rotina (se quiser ligar o rádio ou deixar brinquedos, faça duas horas antes); alimentar o cão quando ele estiver só e não quando você chegar a casa; passear no mínimo duas vezes por dia (de 30 a 40 minutos), se possível antes de você sair de casa. Ao chegar a casa, só dê atenção ao cão depois que ele se acalmar. Avalie a possibilidade de deixá-lo numa creche de animais.

O auxílio de um adestrador profissional é recomendado para treinar o seu cão nesse caso, mas vale a pena ensiná-lo, pois mesmo que ele tenha uma rotina com pessoas por perto no dia-a-dia, ele pode precisar ficar preso por necessidade de força maior, por exemplo, numa viagem de avião ou se tiver que ficar internado num hospital veterinário.